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Por que me desamparaste?
“Chegado o meio-dia, houve trevas sobre toda a terra até as três horas da tarde. E às três horas, Jesus clamou em alta voz: — Eloí, Eloí, lemá sabactani? — Isso quer dizer: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” E alguns dos que estavam ali, ouvindo isto, diziam: — Vejam! Ele chama por Elias! E um deles correu para embeber uma esponja em vinagre e, colocando-a na ponta de um caniço, deu-lhe de beber, dizendo: — Esperem! Vejamos se Elias vem tirá-lo! Mas Jesus, dando um forte grito, expirou. E o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo.” Mc15.33 a 38
*Temos refletido sobre as muitas perguntas de Jesus registradas nos evangelhos. Jesus fez perguntas aos discípulos, aos religiosos, aos pecadores. Mas hoje o encontramos dirigindo sua pergunta a Deus, o Pai.
*A cena aconteceu na cruz, após um silêncio de 3 longas horas do sofrimento do Senhor. Jesus rompeu o silêncio citando o Sl 22.1 em hebraico. Mais do que uma citação, foi um grito de dor e angústia. Por ter falado em hebraico, alguns judeus ao redor da cruz, provavelmente entenderam o que ele disse. Outros achavam que Jesus chamava pelo profeta Elias.
A pergunta de Jesus, “Deus meu! Deus meu! Por que me desamparaste?” desafia nossa compreensão. Por duas vezes Jesus chamou Deus, de meu Deus, deixando claro que o pior sofrimento que a humanidade já viu, não poderia mudar o relacionamento que ele tinha com o Pai. Nas mais densas trevas, Deus continuou sendo o Seu Deus! Era com Deus que Jesus falava.
*E perguntou: “Por que me desamparaste?” O que Jesus estava dizendo com sua pergunta?
*Na cruz o Senhor assumiu o peso do pecado do mundo, ele se fez pecado por nós (2 Co 5.21). Abandono, desamparo é a palavra que descreve corretamente o que estava acontecendo. Deus é santo e nossos pecados nos separam dEle.
*Na cruz Jesus experimentou a dor da separação de Deus, a dor da morte pelo pecado. Aquele não teve pecado, assumiu o pecado do mundo, o meu e o seu pecado, enfrentando a maior angústia de alma jamais vista.
*Em seu grito, Jesus atribuiu o abandono a Deus; não aos discípulos e nem aos judeus, mas a Deus. O abandono dos discípulos, ainda que difícil, não se compara ao abandono que Jesus sentiu naquele momento de aparente vitória das trevas.
*Diante da angustiante pergunta de Jesus ao Pai, não ouvimos nenhuma voz do céu. O silêncio foi seguido pelo grito do Senhor e sua morte. Neste momento o véu do santuário que separava o lugar santo, do Santo dos Santos, foi rasgado de cima para baixo, uma evidência da obra divina e não da ação humana. A missão do Salvador se cumpriu, permitindo o acesso ao Pai de todo aquele que crê em Jesus como seu Salvador.
*Muitas vezes, diante das lutas, pecados e sofrimentos, a nossa reação pode ser fugir de Deus e das pessoas. Mas podemos aprender com Jesus a conversar, perguntar, falar com Pai em toda e qualquer situação, a levarmos nossas aflições diante do seu trono de graça. Também precisamos lembrar que o pecado faz estragos nos afastando do Deus Santo.
Oremos:
“Pai, livra-nos de pecar contra ti. Nos ajude a entender os danos do pecado e a valorizar imensamente o perdão e a graça que recebemos pela vida do Senhor entregue na cruz. Que em nossas dores e angústias possamos correr para o Senhor e levar nossas perguntas à tua presença. Obrigado porque a tua Palavra diz e podemos crer que nada pode nos separar do teu amor, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Amém!
Elayne Manzano